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Infecções urinárias em idade pediátrica no Hospital Infante D. Pedro, Aveiro: Agentes...
Sofia Carvalho Figueiredo, Daniela Pio, Ana Nordeste, Elmano Ramalheira, Marisol Pinhal, Paula Rocha, Jorge Vaz Duarte
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Resumo do artigo:

Infecções urinárias em idade pediátrica no Hospital Infante D. Pedro, Aveiro: Agentes etiológicos e resistências aos antibióticos

Urinary tract infections in pediatrics in Hospital Infante D. Pedro, Aveiro: Microbiology and antibiotic resistances

Introdução: As infecções do tracto urinário (ITU) têm especial importância na idade pediátrica, sobretudo a pielonefrite nos dois primeiros anos de vida, pelo maior risco de cicatriz renal associada a potenciais complicações como hipertensão arterial e insuficiência renal crónica. O tratamento da ITU deve ser iniciado o mais precocemente possível. O antibiótico escolhido inicialmente deverá actuar sobre as estirpes causais mais frequentes, tendo em conta as resistências conhecidas na comunidade infantil local.

Objectivo: Identificar os agentes etiológicos de ITU diagnosticadas no Serviço de Pediatria do Hospital Infante D. Pedro – Aveiro (SP-HIP), caracterizar as suas susceptibilidades a diversos antibióticos e, de acordo com os resultados, propor uma terapêutica inicial com maior probabilidade de eficácia.

Material e métodos: Revisão retrospectiva dos gérmens identificados nas ITU diagnosticadas no SP-HIP e respectivos antibiogramas, durante o período 2005-2006.

Considerou-se ITU a identificação de colónias de bactérias por gérmen único (GU), respectivamente em relação ao tipo de colheita de urina: em colheita única (CU) qualquer número se aspiração supra-púbica (ASP); ≥ 104 unidades formadoras de colónias por ml (UFC/ml) por cateterismo vesical (CV) em CU; ≥ 105 UFC/ml por jacto médio em CU; ≥ 105 UFC/ml por saco colector esterilizado (SC) em CU associado a nitritos positivos em urina fresca na tira-reagente; ≥ 105 UFC/ml por SC esterilizado em 2 colheitas consecutivas realizadas em menos de 48 horas.

Para avaliação do agente etiológico e respectivo Teste de Susceptibilidade Antibiótica (TSA), apenas foi analisada uma única urocultura por cada episódio de ITU. Foram incluídas no estudo tanto as primeiras ITU como as subsequentes, assim como infecções febris e não febris.

Os antibióticos foram testados de acordo com o agente patogénico isolado. Na avaliação do TSA foram excluídas as 42 ITU de crianças sob profilaxia por ter sido verificada a existência de uma diferença estatisticamente significativa nos TSA das bactérias causadoras de ITU em crianças sem e com profilaxia.

Resultados: Em 338 infecções urinárias, a bactéria mais frequentemente isolada foi a E. coli (78,4 %) seguida do P. mirabilis (13,6 %). Os microorganismos isolados no grupo de crianças sem profilaxia (n = 296) apresentaram taxas de sensibilidade (excluindo resistência e sensibilidade intermédia) de 97,6% para a gentamicina; 97,3% para o cefuroxime-axetil; 86,8% para o cotrimoxazol; 78,9% para a amoxicilina e ácido clavulânico; 78,9% para a cefalotina e 54,7% para a ampicilina.

Conclusão: A utilização do cefuroxime como tratamento empírico de primeira linha parece ser uma boa opção face às sensibilidades encontradas neste estudo (97,2%), assim como a opção pela gentamicina para tratamento endovenoso.

A constatação de uma taxa de resistência e sensibilidade intermédia superior a 20% para a associação amoxicilina e ácido clavulânico leva a não a considerar como primeira opção de tratamento das crianças de maior risco (sobretudo com idade inferior a dois anos, infecções urinárias febris, infecções de repetição).

As 13,2% resistências encontradas para cotrimoxazol permitem considerar este antibiótico como uma opção terapêutica em infecções urinárias de baixo risco.

Palavras-chave: Infecção do tracto urinário, gérmens bacterianos, sensibilidade, antibióticos. Keywords: Urinary tract infections, bacterial agents, sensitivity, antibiotic.